sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Por que as pessoas se suicidam?


Gente, procurei tentar entender algo que eu nem ninguem jamais conseguiremos! Suicídios. Estou horrorizada com tudo que anda acontecendo aqui na minha cidade, ja é o segundo caso polemico que acontece , tirando os outros tambem! 
Encontrei um texto muito interessante de um autor e recomendo ler, interessantíssimo

"O tema morte sempre me despertou interesse. Talvez por ter passado, ainda muito jovem, por duas experiências de perda de entes queridos, entre os quais a minha mãe.
Entretanto, comecei despertar o interesse pelo tema suicídio há pouco tempo, não como objeto de estudo científico, até porque não sou especialista ou profissional da área, mas por pura curiosidade intelectual, e também pelo fato de observar que o número de suicídios cresce a cada ano.
Não é muito cômodo a um leigo falar ou escrever sobre o suicídio, pois as pessoas tendem a ter um entendimento equivocado sobre o interesse de quem não é especialista comentar sobre o assunto. Muitos são levados a pensar que, se um leigo trata dessa questão, é porque deve estar ‘pensado besteira’, ou seja, deve estar tramando contra a própria vida. Aos meus parentes e amigos vai a notícia que estou de bem com a vida e não pretendo deixá-la tão cedo, embora não possa assegurar que a recíproca seja verdadeira, infelizmente.
Há muitas pessoas que acham que tirar a própria vida seja um ato mais revolucionário que existe. Outros, porém, vêem tal comportamento como a mais abjeta das covardias que um ser humano pode ser acometido. O certo é que o tema vem dividindo opiniões há séculos.
Para Platão, por exemplo, o suicídio é uma desgraça e quem o comete deve ser enterrado em sepultura clandestina. Cícero afirmava, por sua vez, que “sem os meios de ter uma vida que se desenvolva naturalmente, o suicídio pode ser justificado. Nossa natureza requer certas vantagens naturais para que possamos ser felizes (...) Quando a vida de um homem tem preponderância de acordo com a natureza é apropriado para ele permanecer vivo. Quando ele percebe uma maioria de coisas adversas é apropriado terminar com a vida”. E para estóico romano Sêneca “o essencial não é simplesmente viver, mas viver bem”.
Mas recentemente, o pensador Argelino Albert Camus afirmou quer “o suicídio é o único problema filosófico verdadeiramente sério”. Ou seja, a questão filosófica fundamental é saber se a vida vale a pena ser vivida ou não.
O certo é  que o suicídio, segundo o Chefe do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, Humberto Corrêa da Silva Filho,   suicídio “provoca mais mortes do que as guerras, acidentes automobilísticos e homicídios somados”. Afirma ainda que dados da Organização Mundial de Saúde, dão conta de que um milhão de pessoas se suicidam por ano, o que dá 16 para cada 100.000 habitantes no mundo, ou um suicídio a cada 40 segundos.
Não há estatística confiável sobre o suicídio no Brasil e muito menos no Maranhão. O fato é que, com uma freqüência que já deveria ter chamado à atenção das autoridades no assunto, ficamos sabendo pelos jornais que determinada pessoa suicidou-se. O mais grave, é que muitos acham que a causa que leva a alguém a cometer suicídio esteja associada pura e simplesmente a uma questão de ‘fraqueza de espírito’, ou seja, uma forma reducionosta de ver o poblema.
Desequilíbrio emocional, problemas socioeconômicos, solidão, doenças crônicas, insanidade mental, enfim, não há causa única que explique um ato radical contra a vida. A depressão, que hoje já é considerada um caso de saúde pública em muitos países, quase sempre está por trás dos casos de suicídio.
Soma-se o fato de que ficou muito difícil de se viver nesse mundo, uma vez que o sonho de felicidade fica mais distante a cada dia, cada vez mais somos forçados a uma rotina que nos transforma de seres humanos em autômatos de uma sociedade que não tem e nem faz mais questão de possuir algum pudor fraterno e de solidariedade entre as pessoas. Tudo está resumido nas duas grandes regras sagradas de vivência e convivência dessa sociedade: consumo e aparência.
Não concordo e jamais admirei a idéia de fazer apologia ao suicídio, entretanto não desprezo e muito menos desrespeito aqueles que resolveram optar por deixar a vida através do autosacrifício. Penso que a vida deve ser vivida ao máximo que Deus desejar e, embora vivamos num sistema social, econômico e político que não respeita sequer o planeta em habitamos, ainda assim não me parece que deixar a vida através do suicídio seja uma boa saída.
Finalmente, jamais saberemos ao certo o que leva uma pessoa aparentemente normal tirar a própria vida. A história estar repleta de exemplos onde figuras respeitadíssimas na arte, na cultura, na literatura, na política etc, resolveram dar término as suas vidas. Enquanto não tivermos respostas definitivas para a pergunta que dá título a este artigo, fiquemos com a frase do poeta que diz: “de perto ninguém é normal”.

Roberto Lobato 

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