Gente, procurei tentar entender algo que eu nem ninguem jamais conseguiremos! Suicídios. Estou horrorizada com tudo que anda acontecendo aqui na minha cidade, ja é o segundo caso polemico que acontece , tirando os outros tambem!
Encontrei um texto muito interessante de um autor e recomendo ler, interessantíssimo!
"O tema morte sempre me despertou interesse. Talvez por ter passado, ainda muito jovem, por duas experiências de perda de entes queridos, entre os quais a minha mãe.
Entretanto, comecei despertar o interesse pelo tema suicídio há pouco tempo, não como objeto de estudo científico, até porque não sou especialista ou profissional da área, mas por pura curiosidade intelectual, e também pelo fato de observar que o número de suicídios cresce a cada ano.
Não é muito cômodo a um leigo falar ou escrever sobre o suicídio, pois as pessoas tendem a ter um entendimento equivocado sobre o interesse de quem não é especialista comentar sobre o assunto. Muitos são levados a pensar que, se um leigo trata dessa questão, é porque deve estar ‘pensado besteira’, ou seja, deve estar tramando contra a própria vida. Aos meus parentes e amigos vai a notícia que estou de bem com a vida e não pretendo deixá-la tão cedo, embora não possa assegurar que a recíproca seja verdadeira, infelizmente.
Há muitas pessoas que acham que tirar a própria vida seja um ato mais revolucionário que existe. Outros, porém, vêem tal comportamento como a mais abjeta das covardias que um ser humano pode ser acometido. O certo é que o tema vem dividindo opiniões há séculos.
Para Platão, por exemplo, o suicídio é uma desgraça e quem o comete deve ser enterrado em sepultura clandestina. Cícero afirmava, por sua vez, que “sem os meios de ter uma vida que se desenvolva naturalmente, o suicídio pode ser justificado. Nossa natureza requer certas vantagens naturais para que possamos ser felizes (...) Quando a vida de um homem tem preponderância de acordo com a natureza é apropriado para ele permanecer vivo. Quando ele percebe uma maioria de coisas adversas é apropriado terminar com a vida”. E para estóico romano Sêneca “o essencial não é simplesmente viver, mas viver bem”.
Mas recentemente, o pensador Argelino Albert Camus afirmou quer “o suicídio é o único problema filosófico verdadeiramente sério”. Ou seja, a questão filosófica fundamental é saber se a vida vale a pena ser vivida ou não.
O certo é que o suicídio, segundo o Chefe do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, Humberto Corrêa da Silva Filho, suicídio “provoca mais mortes do que as guerras, acidentes automobilísticos e homicídios somados”. Afirma ainda que dados da Organização Mundial de Saúde, dão conta de que um milhão de pessoas se suicidam por ano, o que dá 16 para cada 100.000 habitantes no mundo, ou um suicídio a cada 40 segundos.
Não há estatística confiável sobre o suicídio no Brasil e muito menos no Maranhão. O fato é que, com uma freqüência que já deveria ter chamado à atenção das autoridades no assunto, ficamos sabendo pelos jornais que determinada pessoa suicidou-se. O mais grave, é que muitos acham que a causa que leva a alguém a cometer suicídio esteja associada pura e simplesmente a uma questão de ‘fraqueza de espírito’, ou seja, uma forma reducionosta de ver o poblema.
Desequilíbrio emocional, problemas socioeconômicos, solidão, doenças crônicas, insanidade mental, enfim, não há causa única que explique um ato radical contra a vida. A depressão, que hoje já é considerada um caso de saúde pública em muitos países, quase sempre está por trás dos casos de suicídio.
Soma-se o fato de que ficou muito difícil de se viver nesse mundo, uma vez que o sonho de felicidade fica mais distante a cada dia, cada vez mais somos forçados a uma rotina que nos transforma de seres humanos em autômatos de uma sociedade que não tem e nem faz mais questão de possuir algum pudor fraterno e de solidariedade entre as pessoas. Tudo está resumido nas duas grandes regras sagradas de vivência e convivência dessa sociedade: consumo e aparência.
Não concordo e jamais admirei a idéia de fazer apologia ao suicídio, entretanto não desprezo e muito menos desrespeito aqueles que resolveram optar por deixar a vida através do autosacrifício. Penso que a vida deve ser vivida ao máximo que Deus desejar e, embora vivamos num sistema social, econômico e político que não respeita sequer o planeta em habitamos, ainda assim não me parece que deixar a vida através do suicídio seja uma boa saída.
Finalmente, jamais saberemos ao certo o que leva uma pessoa aparentemente normal tirar a própria vida. A história estar repleta de exemplos onde figuras respeitadíssimas na arte, na cultura, na literatura, na política etc, resolveram dar término as suas vidas. Enquanto não tivermos respostas definitivas para a pergunta que dá título a este artigo, fiquemos com a frase do poeta que diz: “de perto ninguém é normal”.
Roberto Lobato
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